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Band alavanca audiência com futebol feminino em estreia das transmissões

Renata Mendonça

2020-05-20T19:09:24

20/05/2019 09h24

Foto: dibradoras

O domingo sempre foi tradicionalmente um dia de futebol para os brasileiros, que se acostumaram a ligar a TV para acompanhar as transmissões depois do almoço ou mesmo a ir ao estádio para prestigiar as partidas de perto. Essa tradição ganhou um novo capítulo nesta semana. A Bandeirantes estreou suas transmissões do futebol feminino com um jogaço entre Santos e Internacional pelo Campeonato Brasileiro das mulheres e surpreendeu até mesmo os mais céticos com a modalidade.

O jogo foi às 14h no Pacaembu e, logo nos primeiros minutos, a audiência mostrava sinais de que a estratégia de apostar no futebol feminino – em vez do "Cine Band", antiga atração do horário no canal – estava dando certo. Se, na programação anterior com filme nesse horário a Band registrava uma média de 1 ponto de audiência, com o Brasileiro feminino o pico chegou a 3.8 e a média ficou em 2.5.

Para se ter uma ideia do que significa essa medição, um ponto percentual de audiência nacional representa 254.892 lares com a TV ligada naquele canal – de acordo com os números padronizados pelo Ibope em 2019. A estimativa de telespectadores a cada ponto de audiência é de 693.788 pessoas. Isso significaria que, no pico da audiência do Brasileiro Feminino na Band, cerca de um milhão de lares no país estavam ligados no canal para ver o futebol das mulheres.

Você pode achar esse número pequeno pensando em um país inteiro, mas comparando a audiência do futebol feminino com a audiência que a Band registrava no mesmo horário com outra atração, dá para perceber a diferença: ela praticamente triplicou o número de pessoas acompanhando o canal naquele horário.

Com a narração de Ivan Bruno, comentários da ex-jogadora Alline Calandrini e do ex-goleiro Veloso, e reportagem de campo de Yara Fantoni  – além da apresentadora Paloma Tocci comandando a atração no intervalo -, a transmissão foi um sucesso também nas redes sociais. A hashtag #FutBand figurou entre as mais comentadas do Twitter durante a transmissão, mostrando o potencial que a exibição do futebol feminino na TV aberta pode ter.

"Eu particularmente estava muito ansiosa para essas transmissões. A Band se preocupou em passar antes do Mundial. Escolheram um bom jogo, Santos e Internacional, dois times de camisa, e a gente viu que foi um jogão. Durante a partida, eu confesso que não acompanhei as redes sociais, fiquei inteiramente no jogo. Quando fui ler os comentários, eu fiquei de queixo caído por ver como o pessoal assistiu, a repercussão foi absurda, foi para os trending topics", afirmou às dibradoras Alline Calandrini.

"Uma coisa que eu vi também foi a audiência, a Band aposta muito no futebol feminino, então quando eu vi que eles ficaram muito felizes com o resultado, vi que estava dando certo e fiquei muito feliz. Acho que a transmissão foi muito legal, a Yara do campo trazendo as informações, entrevistando jogadoras, deixou a transmissão ainda mais rica. O Ivan, que narrou, é um cara que gosta do futebol feminino, ele estuda, tem um carinho diferente. E o Veloso achei que foi muito bem também, interessado. Fiquei muito feliz dentro de tudo o que aconteceu e com a repercussão. Foi um dia de realização."

Jogaço

O jogo em campo fez jus a uma estreia muito digna para o futebol feminino na Band. O Santos, que entrou em campo defendendo uma invencibilidade de 8 jogos com 8 vitórias até ali, comandou as ações do ataque e fez a goleira do Inter, Yasmin, trabalhar o tempo todo. Mas em erros de saída de bola, o time comandado por Emily Lima acabou dando as oportunidades que a equipe colorada precisava. Com um chute lindo de fora da área, Fabi Simões abriu o placar aproveitando a trapalhada santista aos 12 minutos do primeiro tempo. Depois, Glaucia, a artilheira do Santos, fez o dela de cabeça para igualar o marcador aos 28 minutos. E antes ainda do apito para o intervalo, Mariana Pires ampliou para o Inter em mais um erro de saída de bola do time da casa.

Foto: Pedro Ernesto Guerra / Santos FC

O segundo tempo foi um show de ataque do Santos e uma eficiência incrível de defesa do Inter. O time do Sul jogou atrás, bastante fechado para tentar anular a conhecida ofensividade da equipe de Emily Lima. Nem a habilidade de Glaucia no chute ou nos passes foi suficiente para vencer a goleira Yasmin, que estava inspiradíssima na partida. O jogo terminou em 2 a 1 para as coloradas, que derrubaram a invencibilidade santista e assumiram o terceiro lugar na tabela. O Santos acabou perdendo a liderança para Corinthians pelo saldo de gols.

O alto nível da partida despertou comentários até mesmo de famosos que acompanharam a transmissão da Band. O humorista Marcelo Adnet foi um deles.

As transmissões do futebol feminino na Band serão fequentes neste ano. A emissora sempre foi conhecida por apoiar a modalidade ao longo da história – principalmente nos tempos áureos de Luciano do Valle – e, nesta temporada, acertou com a CBF a compra dos direitos do Brasileiro (séries A1 e A2) e exibirá sempre um jogo por rodada aos domingos às 14h.

Em um momento de grande crescimento do futebol feminino, ter as transmissões do principal campeonato nacional em uma TV aberta é essencial para fortalecer a cultura da modalidade no país. Cada vez mais meninas surgem querendo jogar bola e conseguem esse espaço aos poucos seja na escola, na rua com os meninos e até mesmo em clubes. É muito importante para elas terem essa referência na televisão, para acreditarem que um dia podem estar lá, jogando o principal torneio do país em rede nacional.

Para completar, a própria Rainha do Futebol, Marta, esteve no Pacaembu para prestigiar esse jogaço.

Foto: Pedro Ernesto Guerra / Santos FC

"Nunca aconteceu de passar todo domingo um jogo do futebol feminino, então é um momento muito diferente da nossa modalidade, e a gente tem que aproveitar, estar preparada para isso. Pessoas que não conhecem o futebol feminino terão a oportunidade de assistir a um jogão como foi o desse domingo. É importante para a menina olhar e se inspirar, falar 'eu quero ser a Glaucia"', afirmou Calandrini.

"Comecei vendo o jogo do Paulista feminino na Rede Vida entre Palmeiras e Audax no sábado de manhã. Depois teve a final da Champions League na ESPN. Vi Vitória e Flamengo pelo Twitter ainda no sábado. E aí no domingo esse jogaço. Querendo ou não, TV aberta tem uma chamada diferente porque a gente não está acostumado com isso. Estou muito feliz com tudo o que está acontecendo na modalidade, especialmente nesse fim de semana."

PS: Lembrando que, para os que não gostam do futebol feminino, há sempre a opção de mudar de canal 😉

 

Sobre as autoras

Renata Mendonça é jornalista, são-paulina, e apaixonada por esporte desde que se conhece por gente. Foi em um ~dibre desses da vida que conseguiu unir trabalho e paixão sendo jornalista esportiva. Hoje, sua luta é para que mais mulheres consigam ocupar esse espaço. Angélica Souza é publicitária, de bem com a vida e tem um senso de humor que, na maioria das vezes, faz as pessoas rirem. Alucinada por futebol - daquelas que não pode ver uma bola que já sai chutando - sabe da importância e responsabilidade de ser uma mulher com essa paixão. Nas costas, gosta da 10, e no peito, o coração é verde e branco e bate lá na Turiassú. Roberta Nina é aquariana por essência, são-paulina por escolha e jornalista de formação. Tem por vocação dar voz às mulheres no esporte.

Sobre o blog

Futebol não é coisa de mulher. Rugby? Vocês não têm força para jogar... Lugar de mulher é na cozinha, não no campo, na quadra, na arquibancada. Já ouviu isso muitas vezes, né?! Mas o ~dibradoras surgiu para provar justamente o contrário. Mulher pode gostar, entender e praticar o esporte que quiser. E quem achar que não, a gente ~dibra ;)

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