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Por que o Palmeiras x São Paulo de 7 de abril deveria ser duplo no Allianz?

Renata Mendonça

2028-03-20T19:18:20

28/03/2019 18h20

Foto: Divulgação

Nesta quinta-feira, foram definidas as datas dos confrontos de semifinais do Campeonato Paulista. E, curiosamente, houve uma feliz coincidência em uma delas. A segunda partida que definirá a vaga na decisão entre Palmeiras e São Paulo será disputada no domingo, dia 7 de abril. Coincidentemente, nesta mesma data está marcado o primeiro clássico entre esses mesmos times no Paulista de futebol feminino. Ambas as partidas são de mando palmeirense.

Só que a equipe feminina do Palmeiras tem como "casa" a cidade de Vinhedo. O clube estabeleceu uma parceria com a cidade do interior, que cede local de treino e de jogo para as mulheres representarem as cores do Palestra por lá. Mas para este jogo, em específico, diante do São Paulo, há algumas restrições sobre o campo que receberá a partida. Por ser clássico, é preciso atender exigências específicas, e o clube alviverde já estuda para onde levar o jogo.

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Pois bem, a oportunidade se apresentou aí, bem na frente dos dirigentes. Já que as equipes feminina e masculina enfrentarão o mesmo adversário, por que o Palmeiras não aproveita a chance para colocar os dois jogos no Allianz Parque, um depois do outro? Seria a ocasião perfeita para aproximar seus torcedores do futebol feminino e promover as mulheres também como representantes do clube que coleciona títulos e é dono de uma das maiores torcidas do país.

 

O grande argumento que se usa para se colocar os jogos do futebol feminino em estádios menores e em horários diurnos é justamente o custo que se tem para abrir uma arena do tamanho do Allianz Parque para um jogo que eles julgam não ter tanto apelo. E é preciso levar isso em consideração mesmo. No entanto, nesse caso, o estádio já será utilizado de qualquer jeito pelo time masculino. Em um jogo que com certeza terá casa cheia. Então por que não aproveitar a chance e incluir as mulheres nessa?

O Manchester City fez isso recentemente quando teve pela frente o Chelsea pelo Campeonato Inglês feminino e masculino. As mulheres jogaram antes, às 13h, e os homens jogaram em seguida, às 16h, com o ingresso vendido de maneira casada para as duas partidas.

Sendo assim, o Palmeiras poderia colocar o time feminino para enfrentar o São Paulo antes da partida decisiva do time masculino no Choque-Rei que definirá a vaga na final do Paulista.

É claro que vão sempre citar "empecilhos" para isso. Vão dizer que o gramado vai ficar prejudicado com dois jogos seguidos. Mas no ano passado, após uma sequência de shows que aconteceram no estádio palmeirense, o gramado ficou bastante prejudicado e, ainda assim, os jogos aconteceram por lá tranquilamente. E é claro que o impacto de um só jogo do futebol feminino é mínimo perto do que um show com dezenas de milhares de pessoas no gramado pode ter.

 

A questão é que sempre vão existir "poréns" quando o assunto é futebol feminino. É o problema do gasto, é o problema da suposta "lentidão do jogo", é que ninguém quer ver, é que vai estragar o gramado. Então a nossa proposta aqui é que o Palmeiras – e todos os clubes – deixem de enxergar o futebol das mulheres como problema e passe a vê-lo como oportunidade. Quantas torcedoras não se sentirão representadas por uma simples ação como essa, de dar chance para as mulheres jogarem no estádio em que os homens já conseguiram tantas glórias para o clube? Quantas meninas que jogam bola não poderiam se inspirar com isso para investirem no sonho de ser jogadoras?

Na Europa, já há claros sinais de que, quando os clubes divulgam e fortalecem suas equipes femininas, eles têm resultado – tanto de público, quanto financeiro. É possível, sim, um dia lucrar com o feminino, e não só gastar com elas. Mas é preciso investir de verdade e acreditar que pode dar certo. Está aí a oportunidade perfeita: dois clássicos no mesmo dia, com o mesmo adversário, a mesma rivalidade em campo. O mesmo futebol, a mesma paixão. Atenção, dirigentes, vamos fazer acontecer?

PS: Abaixo, a campanha que fizemos no Twitter. Para apoiar, é só dar RT 🙂

 

Sobre as autoras

Renata Mendonça é jornalista, são-paulina, e apaixonada por esporte desde que se conhece por gente. Foi em um ~dibre desses da vida que conseguiu unir trabalho e paixão sendo jornalista esportiva. Hoje, sua luta é para que mais mulheres consigam ocupar esse espaço. Angélica Souza é publicitária, de bem com a vida e tem um senso de humor que, na maioria das vezes, faz as pessoas rirem. Alucinada por futebol - daquelas que não pode ver uma bola que já sai chutando - sabe da importância e responsabilidade de ser uma mulher com essa paixão. Nas costas, gosta da 10, e no peito, o coração é verde e branco e bate lá na Turiassú. Roberta Nina é aquariana por essência, são-paulina por escolha e jornalista de formação. Tem por vocação dar voz às mulheres no esporte.

Sobre o blog

Futebol não é coisa de mulher. Rugby? Vocês não têm força para jogar... Lugar de mulher é na cozinha, não no campo, na quadra, na arquibancada. Já ouviu isso muitas vezes, né?! Mas o ~dibradoras surgiu para provar justamente o contrário. Mulher pode gostar, entender e praticar o esporte que quiser. E quem achar que não, a gente ~dibra ;)

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