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Brasil entra na briga para sediar Copa do Mundo de futebol feminino em 2023

Renata Mendonça

2019-03-20T19:07:21

19/03/2019 07h21

Foto: Fifa

A Fifa revelou nesta terça-feira ter recebido um número recorde de propostas para sediar a Copa do Mundo de futebol feminino de 2023. E, entre os nove países que apresentaram ofertas, o Brasil está lá como uma das possibilidades.

A concorrência está grande, mas a proposta da CBF vem como uma surpresa nessa lista de países interessados em sediar o torneio. Se até pouco tempo atrás, a entidade não investia no futebol feminino, hoje ela começa a vê-lo como uma oportunidade de negócio – e a Copa do Mundo seria uma forma de popularizar de vez a modalidade por aqui.

Mas a disputa parece que será acirrada. Além do Brasil, Argentina, Austrália, Bolívia, Colômbia, Japão, Nova Zelândia e África do Sul já estão no páreo. São todos países que nunca sediaram um Mundial feminino na história.

E muitos deles que não costumam ter um bom histórico de atenção com a modalidade – a Argentina, por exemplo, viu suas atletas protestarem na última Copa América por não terem recebido nenhum apoio da confederação local para a disputa do torneio. A Bolívia e a Colômbia também oferecem muita resistência às mulheres que jogam futebol por lá – um exemplo recente foi o que aconteceu como Atletico Huila, campeão da Libertadores feminina em 2018, quando as atletas denunciaram que o clube não pagaria a elas a premiação devida e destinaria o dinheiro para o time masculino.

Foto: Minas Panagiotakis/Getty Images/AFP

Já a Austrália tem crescido muito no futebol feminino e apostado no desenvolvimento da modalidade. Recentemente, o país criou um "piso salarial" para as atletas do país, estipulando US$ 6,9 mil como valor mínimo a ser recebido por uma jogadora de futebol que atue por lá. A Nova Zelândia é outro país que tem investido mais nas mulheres e chegou a equiparar os ganhos da seleção masculina com a feminina.

O Brasil e a África do Sul apostam no trunfo de já terem sediado a Copa do Mundo masculina e terem toda a estrutura necessária para receber os jogos de um Mundial feminino, com estádios modernos e confortáveis, no chamado "padrão Fifa".

Interesse recorde

A primeira Copa do Mundo de futebol feminino oficial organizada pela Fifa aconteceu em 1991, na China e, desde então, nunca houve tanto interesse para se sediar um torneio como está acontecendo desta vez. De lá para cá, Suécia (1995), Estados Unidos (1999), Estados Unidos (2003) novamente, China (2007), Alemanha (2011) e Canadá (2015) foram os países que já receberam um Mundial feminino.

Copa de 1999 foi histórica, com mais de 90 mil pessoas no estádio na final

A edição de 2019 será realizada na França e promete ser uma das mais importantes da história, por tudo o que tem se falado até aqui. O país tem investido bastante no futebol feminino, tem o principal clube do mundo atualmente, que é o Lyon, supercampeão de tudo na Europa, e está bem localizado na Europa, atraindo muita gente dos países vizinhos que começam a se interessar pela modalidade. Prova disso é que no primeiro dia de venda de ingressos, mais de 590 mil entradas foram vendidas e quatro jogos foram esgotados (abertura, semifinais e final).

Com o crescimento do interesse pelo futebol feminino no mundo todo, a tendência é que mais países vejam a Copa feminina como uma oportunidade de negócio. É isso que fez com nove deles (um número recorde) tenham apresentado interesse na Fifa pelo Mundial de 2023.

Agora, eles têm até 16 de abril para formalizar uma proposta. A Fifa promete fazer um processo completamente transparente, e anunciará a sede do torneio de 2023 em outubro deste ano.

 

Sobre as autoras

Renata Mendonça é jornalista, são-paulina, e apaixonada por esporte desde que se conhece por gente. Foi em um ~dibre desses da vida que conseguiu unir trabalho e paixão sendo jornalista esportiva. Hoje, sua luta é para que mais mulheres consigam ocupar esse espaço. Angélica Souza é publicitária, de bem com a vida e tem um senso de humor que, na maioria das vezes, faz as pessoas rirem. Alucinada por futebol - daquelas que não pode ver uma bola que já sai chutando - sabe da importância e responsabilidade de ser uma mulher com essa paixão. Nas costas, gosta da 10, e no peito, o coração é verde e branco e bate lá na Turiassú. Roberta Nina é aquariana por essência, são-paulina por escolha e jornalista de formação. Tem por vocação dar voz às mulheres no esporte.

Sobre o blog

Futebol não é coisa de mulher. Rugby? Vocês não têm força para jogar... Lugar de mulher é na cozinha, não no campo, na quadra, na arquibancada. Já ouviu isso muitas vezes, né?! Mas o ~dibradoras surgiu para provar justamente o contrário. Mulher pode gostar, entender e praticar o esporte que quiser. E quem achar que não, a gente ~dibra ;)

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