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2019 é ano de Copa: recordes e curiosidades do Mundial de futebol feminino

Renata Mendonça

03/01/2019 10h57

Foto: AFP/Getty

O ano de 2019 promete muito para o futebol feminino. A Copa do Mundo da França, que começa em 7 de junho, tem atraído todos os holofotes internacionais. A mídia britânica já noticiou que será "o maior evento esportivo do ano" e, no Brasil, a Globo, principal canal de TV aberta do país, confirmou que transmitirá pela primeira vez na íntegra e ao vivo todos os jogos da seleção brasileira. Mas por ser um torneio ainda recente – com apenas 30 anos de história -, pouco se conhece sobre os recordes e curiosidades desse Mundial.

Aproveitamos esse início de ano para reunir no primeiro post de 2019 alguns desses números históricos pouco conhecidos pelos amantes do futebol. Você sabia, por exemplo, que duas mulheres já disputaram seis edições seguidas de Copa do Mundo? E que uma brasileira ultrapassará esse recorde disputando a sétima neste ano? Nenhum homem jamais atingiu o feito.

A Copa do Mundo de futebol feminino teve sua primeira edição não-oficial, considerada experimental, acontecendo na China em 1988 com a participação de 12 seleções. Depois, o primeiro torneio oficial aconteceu com a mesma sede e a mesma quantidade de participantes em 1991 e, a partir daí, manteve suas edições de quatro em quatro anos.

Vamos aos fatos e números:

– Duas jogadoras disputaram 6 edições da Copa do Mundo de futebol feminino: a meio-campista brasileira Formiga e a meia japonesa Homare Sawa, campeã do mundo em 2011. Não há na história do Mundial masculino nenhum jogador que tenha disputado tantas edições de Copa. E um novo recorde será estabelecido em 2019, quando Formiga entrar em campo mais uma vez pela seleção brasileira no Mundial da França. Será sua sétima edição de Copa do Mundo – ela disputou a primeira em 1995, aos 17 anos.

Formiga havia dito que sua última Copa teria sido no Canadá, mas já fala sobre disputar o Mundial da França (Foto: FIFA/ Getty Images)

– Jogadora mais velha a disputar uma Copa: a zagueira Christie Rampone, dos EUA. Ela disputou a Copa do Mundo de 2015 com 40 anos de idade e conquistou seu segundo Mundial na carreira pela seleção americana (também esteve no elenco campeão em 1999). A atleta ainda é detentora de nada menos do que três medalhas de ouro na Olimpíada, tendo sido capitã do time na conquista de duas delas. No Mundial do Canadá, ao entrar em campo faltando quatro minutos para o fim do jogo na decisão contra o Japão, Rampone se tornou a mulher mais velha a disputar uma Copa do Mundo, com 40 anos e 11 dias.

No entanto, esse é mais um recorde que deverá ser quebrado em 2019. A meio-campista Formiga é titular absoluta da seleção e tem um fôlego de dar inveja até nas mais jovens. Em 2015, ela foi a atleta mais velha a marcar um gol em uma Copa do Mundo (aos 37 anos). Agora, ela se tornará a mais velha a entrar em campo em um Mundial, aos 41 anos de idade (que serão completados em março deste ano). "Eu vou ter 41 anos na Copa. Seria muito legal emular o Roger Milla (atacante camaronês) e fazer história. Todo mundo lembra de vê-lo na TV", afirmou Formiga ao site da Fifa. O jogador dos Camarões é o mais velho de linha a jogar uma Copa aos 42 anos. Há outros dois goleiros o colombiano Faryd Mondragon, e o egípcio Essam El Hadary, que disputaram Mundiais aos 43 e 45 anos respectivamente.

Um feito enorme para uma jogadora do tamanho de Formiga, que serve a seleção há mais de 20 anos, disputou todas as edições olímpicas desde 1996 e detém a impressionante marca de ser a jogadora (entre homens e mulheres) que mais vestiu a camisa da seleção brasileira, ultrapassando os 149 jogos de Cafu.

– Recorde de público da Copa do Mundo de futebol feminino: Em 1999, a final da Copa do Mundo realizada nos Estados Unidos teve a presença de 90.185 torcedores em Pasadena em cima da Itália. para presenciar o segundo título da seleção americana no Mundial – foi também a que teve maior média de público (37.944). A decisão foi no lendário estádio Rose Bowl, aquele em que o Brasil foi tetra vencendo a Itália também nos pênaltis na Copa masculina de 1994 – jogo que teve um público de 94.194 torcedores.

Final da Copa de 1999 nos EUA teve público recorde – seleção americana foi campeã em cima da China vencendo nos pênaltis (Foto: Getty Images)

A Copa do Mundo do Canadá em 2015, porém, estabeleceu um novo recorde de público total em um novo modelo do torneio – foi a primeira vez que a disputa contou com 24 seleções, em vez de as tradicionais 16 de antes. No total, mais de um milhão de pessoas foram aos estádios (1.353.506 pessoas precisamente) em 52 jogos, e a média alcançou 26.029. Para o Mundial da França, a expectativa é ainda maior, já que o país anfitrião tem tradição no futebol feminino e uma seleção que promete ir longe na competição. Antes mesmo do sorteio de grupos, 150 mil ingressos já haviam sido vendidos, com alguns pacotes para cidades como Lyon (que sediará as semifinais e final, entre outros jogos) já esgotados.

– Maior artilheira: Marta, com 15 gols marcados nas quatro Copas disputadas, de 2003 a 2015. Ela está empatada com Ronaldo como maior artilheira do Brasil no torneio e deve ultrapassar o alemão Miroslav Klose, detentor hoje da marca de maior artilheiro da história das Copas com 16 gols. Se marcar apenas mais duas vezes no Mundial da França, a brasileira considerada a maior jogadora de todos os tempos colecionará mais um recorde no futebol – ela já é a maior artilheira da história da seleção (entre homens e mulheres) e a jogadora com mais Bolas de Ouro na carreira (tem 6, ultrapassando Messi e Cristiano Ronaldo).

Marta tem 15 gols e é a maior artilheira da história das Copas de futebol feminino (Foto: AFP)

– Jogadora mais jovem a atuar numa Copa: Ifeanyi Chiejine, atacante da Nigéria, jogou o Mundial de 1999 com 16 anos e 34 dias.

– Jogadora mais jovem a jogar a final: Birgit Prinz, da Alemanha, em 1995, com 17 anos

– Jogadora mais jovem a marcar um gol: a russa Elena Danilova, com 16 anos

– Gol mais rápido: Marcado por Lena Videkull, da Suécia, com 30 segundos de jogo, na Copa de 1991

– Maior goleada: Alemanha 11 x 0 Argentina, em 2007. Ao menos na Copa do Mundo de futebol feminino somos nós, brasileiros, que podemos fazer chacota com os argentinos pela goleada tomada da Alemanha. Foram 11 gols logo no jogo de estreia. Naquele Mundial, o último disputado pelas argentinas (que voltarão ao torneio em 2019), as hermanas foram o "saco de pancadas", e terminaram a primeira fase perdendo para o Japão por 1 a 0 e para a Inglaterra por 6 a 1, com um incrível saldo negativo de 17 gols. Curiosamente, naquele ano, o Brasil foi quem chegou à final, mas perdeu o título para a Alemanha, que venceu a decisão por 2 a 0.

– Maior quantidades de gols já marcados em uma edição: 146 gols em 52 jogos na Copa de 2015.

Seleção americana conquistou tricampeonato no Mundial de 2015 contra as japonesas (Foto: Elaine Thompson/ AP Photo)

– Goleira que ficou mais tempo sem ser vazada: 622 minutos – Nadine Angerer, da Alemanha (2007 e 2011). Ela foi goleira do título mundial de 2007 da seleção alemã, quando simplesmente passou o torneio todo sem ser vazada. Uma das maiores goleiras da história do futebol, Angerer foi a única da posição (entre homens e mulheres) a ganhar uma Bola de Ouro, conquistando o feito em 2013.

– Alemanha foi a seleção que mais vezes jogou sob o comando da mesma técnica: Silvia Neid, de 2007 a 2015 (foram três Mundiais com a mesma treinadora, que foi campeã em 2007 e ainda tem o mérito de ter conquistado o inédito ouro olímpico em 2016).

Silvia Neid, a técnica super vencedora da Alemanha (Foto: REUTERS/Mariana Bazo)

– A treinadora mais jovem a comandar uma seleção no Mundial foi Vanessa Arauz, do Equador, com apenas 26 anos de idade (Copa de 2015).

– A seleção com mais títulos de Copa do Mundo é a americana, que tem três conquistas: em 1991, 1999 e 2015. Em sete edições do Mundial desde a primeira oficial em 1991, os Estados Unidos nunca terminaram o torneio fora do "pódio" (primeiro, segundo ou terceiro lugar).

– Nos Estados Unidos, a final da Copa de 2015 disputada entre americanas e japonesas foi o jogo de futebol (considerando futebol feminino E masculino) mais assistido da história do país, com mais de 25 milhões de pessoas acompanhando a vitória das mulheres pela televisão.

– Equipes que jogaram todas as edições: Brasil, Alemanha, Japão, Nigéria, Noruega, Suécia, Estados Unidos.

Sobre as autoras

Renata Mendonça é jornalista, são-paulina, e apaixonada por esporte desde que se conhece por gente. Foi em um ~dibre desses da vida que conseguiu unir trabalho e paixão sendo jornalista esportiva. Hoje, sua luta é para que mais mulheres consigam ocupar esse espaço. Angélica Souza é publicitária, de bem com a vida e tem um senso de humor que, na maioria das vezes, faz as pessoas rirem. Alucinada por futebol - daquelas que não pode ver uma bola que já sai chutando - sabe da importância e responsabilidade de ser uma mulher com essa paixão. Nas costas, gosta da 10, e no peito, o coração é verde e branco e bate lá na Turiassú. Roberta Nina é aquariana por essência, são-paulina por escolha e jornalista de formação. Tem por vocação dar voz às mulheres no esporte.

Sobre o blog

Futebol não é coisa de mulher. Rugby? Vocês não têm força para jogar... Lugar de mulher é na cozinha, não no campo, na quadra, na arquibancada. Já ouviu isso muitas vezes, né?! Mas o ~dibradoras surgiu para provar justamente o contrário. Mulher pode gostar, entender e praticar o esporte que quiser. E quem achar que não, a gente ~dibra ;)

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