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A homenagem à Marta e o reconhecimento que as mulheres mereciam no futebol

Roberta Nina

04/12/2018 15h51

A seleção do Brasileirão Feminino A-1 (Foto: Lucas Figueiredo/CBF)

Pela primeira vez, o Prêmio do Brasileirão, organizado pela CBF e que elege os melhores jogadores do país durante a temporada, foi igualitário. A premiação desta vez elegeu também as 11 melhores atletas que disputaram o Brasileirão Feminino entre os meses de abril e outubro.

Além do time formado pelas jogadoras, outras três categorias receberam prêmios: a atleta revelação, a craque da competição e o melhor treinador.

A ocasião também serviu para homenagear a jogadora Marta por sua carreira no futebol e em especial, pelo sexto prêmio conquistado neste ano como a melhor jogadora do mundo.

Marta, que é o maior símbolo da modalidade no país e embaixadora global da Boa Vontade pela ONU Mulheres, recebeu a homenagem da CBF em forma de troféu, entregue por sua mãe e não escondeu a alegria e as lágrimas.

(Foto: Lucas Figueiredo/CBF)

Em seu discurso emocionado, a Rainha valorizou a iniciativa em premiar homens e mulheres do futebol brasileiro juntos, em uma única noite. "É uma batalha muito difícil, mas não impossível. E essas ações que vêm acontecendo constantemente, por exemplo hoje, a CBF poder fazer isso, premiar as meninas do (campeonato) Brasileiro juntamente com os meninos, é um incentivo muito grande. Como a Djeni (jogadora do Iranduba) falou aqui, tantas meninas têm os nossos atletas, os meninos, como ídolos. Então, cada vez nos motiva a seguir em frente, seguir lutando e buscando, principalmente, a igualdade de gênero", disse Marta.

Essa mensagem de Marta é muito importante em dois aspectos. O primeiro deles aparece quando a atleta reforça a importância de valorizar as jogadoras que disputam o mesmo campeonato que os homens e sob a mesma chancela, que pertence à CBF.

Se os homens recebem prêmios e aplausos pelo desempenho durante o ano, porque as mulheres não deveriam receber o mesmo tratamento? Foram anos ignorando a presença feminina no campeonato nacional e quando a maior jogadora de todos os tempos discursa sobre "seguir lutando por igualdade de gênero" ela se refere sobre proporcionar oportunidades justas para todos os sexos.

O segundo ponto importante tratado no discurso de Marta fala sobre referência. É claro que as mulheres podem admirar os homens e ter seus ídolos no futebol, mas não podemos negar a elas – especialmente para as mais jovens – a oportunidade de conhecer e se espelhar em outras mulheres.

Os craques da competição: Dudu do Palmeiras e Adriana do Corinthians (Foto: Lucas Figueiredo/CBF)

A própria Marta já revelou que seu sonho de se tornar jogadora de futebol começou a ganhar força quando viu uma partida de futebol feminino na televisão. Com aquela imagem, ela percebeu que também poderia ser uma atleta, que era possível jogar futebol sem ser vista como uma E.T.

Um dia antes da homenagem organizada pela CBF, Marta também recebeu reconhecimento do prêmio Bola de Prata da ESPN ao conquistar o troféu "Bola de Ouro", que é dedicado aos grandes nomes do futebol brasileiro – Pelé já recebeu essa honraria – por toda sua trajetória no esporte.

 

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Obrigada espn br pela homenagem !Sinto-me muito honrada em receber esse lindo prêmio pela primeira vez na história do nosso futebol! @espnwbrasil @mundoespn

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Seu discurso seguiu a mesma linha, pregando por igualdade. "A gente se dedica muito por um simples propósito: igualdade de gênero. Igualdade para todos e todas. Que tenhamos total liberdade para o que a gente quer fazer, seja no esporte ou em qualquer outra atividade. Também quero agradecer por este dia especial, vocês estão fazendo essa homenagem ao Rei. Joguei no feminino do Santos e com a 10, tenho boas lembranças", acrescentou a jogadora (saiba mais aqui)

Foi muito simbólico ver as mulheres dividindo o mesmo palco e fazendo a mesma festa que os homens no final de uma temporada de futebol no Brasil. Esse foi mais um espaço conquistado por elas em um esporte que por muito tempo as tratou com indiferença. E ter a presença da maior jogadora de futebol de todos os tempos como porta-voz nesse momento é muito significativo.

Agora é preciso continuar a dar visibilidade para o futebol feminino. Fortalecer a competição nacional feminina, divulgar melhor o campeonato e as partidas, buscar os patrocínios que elas merecem, e trabalhar cada vez mais para valorizar uma modalidade que já sofre tanto preconceito por simplesmente existir.

(Foto: Lucas Figueiredo/CBF)

Confira a seleção do Brasileirão Feminino A-1

Defensoras

Bárbara, goleira do Kindermann
Maurine, lateral do Santos
Tayla, zagueira do Santos
Antônia, zagueira do Audax
Yasmim, lateral do Corinthians

Meio-campistas
Brena, volante do Santos
Djenifer, volante do Iranduba
Gabi Zanotti, meio-campista do Corinthians
Adriana Leal, meio-campista do Corinthians

Atacantes
Dany Helena, atacante do Flamengo
Letícia (Lelê), atacante do Rio Preto

Revelação
Kerolin, atacante da Ponte Preta

Craque da competição
Adriana, meio-campista do Corinthians

Técnico
Arthur Elias, técnico do Corinthians

Sobre as autoras

Renata Mendonça é jornalista, são-paulina, e apaixonada por esporte desde que se conhece por gente. Foi em um ~dibre desses da vida que conseguiu unir trabalho e paixão sendo jornalista esportiva. Hoje, sua luta é para que mais mulheres consigam ocupar esse espaço. Angélica Souza é publicitária, de bem com a vida e tem um senso de humor que, na maioria das vezes, faz as pessoas rirem. Alucinada por futebol - daquelas que não pode ver uma bola que já sai chutando - sabe da importância e responsabilidade de ser uma mulher com essa paixão. Nas costas, gosta da 10, e no peito, o coração é verde e branco e bate lá na Turiassú. Roberta Nina é aquariana por essência, são-paulina por escolha e jornalista de formação. Tem por vocação dar voz às mulheres no esporte.

Sobre o blog

Futebol não é coisa de mulher. Rugby? Vocês não têm força para jogar... Lugar de mulher é na cozinha, não no campo, na quadra, na arquibancada. Já ouviu isso muitas vezes, né?! Mas o ~dibradoras surgiu para provar justamente o contrário. Mulher pode gostar, entender e praticar o esporte que quiser. E quem achar que não, a gente ~dibra ;)

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